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Entendendo a Fatorexia ou Gordorexia: Quando a Percepção Corporal se Afasta da Realidade


A relação entre imagem corporal, saúde e identidade física tornou-se um dos temas centrais da sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por padrões estéticos conflitantes ora extremamente magros, ora excessivamente permissivos surgem distúrbios de percepção que afetam diretamente a saúde física e mental.

Entre eles, a fatorexia, também conhecida como gordorexia, representa uma condição ainda pouco discutida, mas de impacto crescente.

Diferente de transtornos alimentares clássicos, a fatorexia não está necessariamente associada à restrição alimentar ou à compulsão, mas sim a uma distorção na autoimagem, na qual o indivíduo com sobrepeso ou obesidade se enxerga como estando dentro de um padrão saudável. Essa desconexão entre percepção e realidade pode retardar diagnósticos, atrasar intervenções e favorecer o avanço silencioso de doenças metabólicas.

Compreender o que é a gordorexia, seus efeitos fisiológicos e psicológicos, e como abordá-la de forma consciente é essencial tanto para profissionais de saúde quanto para praticantes de atividade física e para a população em geral.


FATOREXIA E GORDOREXIA

O que é Fatorexia ou Gordorexia?


A fatorexia é um distúrbio de percepção corporal caracterizado pela incapacidade do indivíduo reconhecer seu próprio excesso de gordura corporal. Mesmo apresentando sobrepeso ou obesidade clinicamente mensuráveis, a pessoa se percebe como “normal” ou “apenas um pouco acima do peso”.

Diferença entre fatorexia e outros transtornos de imagem

Ao contrário da anorexia ou da vigorexia, em que há uma supervalorização da magreza ou da musculatura, a gordorexia envolve uma subestimação do próprio volume corporal. Não se trata de negação consciente, mas de uma alteração na representação mental do próprio corpo.

Do ponto de vista neuropsicológico, essa distorção está relacionada a falhas nos sistemas de integração sensorial e no processamento visual-cognitivo da imagem corporal, especialmente em regiões como o córtex parietal e áreas associadas à autoavaliação.

fatorexia ou gordorexia

Benefícios de Reconhecer e Tratar a Gordorexia (Impactos na saúde física e mental)


Reconhecer a presença da fatorexia traz benefícios diretos não apenas estéticos, mas sobretudo metabólicos, cardiovasculares e funcionais.

Benefícios fisiológicos principais


  • Redução do risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2

  • Melhora do perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos)

  • Diminuição da sobrecarga articular e prevenção de lesões

  • Normalização da pressão arterial


Do ponto de vista mecânico, a redução do excesso de massa corporal diminui o estresse compressivo sobre joelhos, quadris e coluna lombar, melhorando a eficiência do movimento e a economia energética durante a locomoção.


Benefícios psicológicos e comportamentais


  • Aumento da consciência corporal

  • Melhora da autoestima baseada em saúde, não apenas estética

  • Maior adesão a programas de atividade física

  • Redução de mecanismos de negação e autoengano


A reeducação perceptiva permite que o indivíduo reconstrua uma relação mais realista e funcional com o próprio corpo.

Como Identificar e Trabalhar a Gordorexia (Estratégias práticas e abordagem funcional)


Avaliação objetiva e percepção subjetiva


O primeiro passo é confrontar a percepção subjetiva com dados objetivos:


  • Índice de Massa Corporal (IMC)

  • Percentual de gordura corporal

  • Circunferência abdominal

  • Dobras cutâneas ou bioimpedância


A discrepância entre esses valores e a autoimagem costuma ser o principal marcador da fatorexia.


Estratégias práticas de intervenção

  • Educação corporal: uso de espelhos, fotos e vídeos para reeducação perceptiva


  • Avaliações periódicas: acompanhamento físico e funcional regular


  • Treinamento físico estruturado: foco em força, resistência e composição corporal


  • Apoio psicológico: quando há resistência ou negação persistente


Do ponto de vista fisiológico, o exercício atua diretamente na melhora da sensibilidade à insulina, no aumento do gasto energético basal e na modulação hormonal (leptina, adiponectina e cortisol), fundamentais no controle da gordura corporal.



Para Quem a Gordorexia é Mais Frequente? (Públicos de risco e indicação de atenção)


A fatorexia é mais comum em alguns perfis específicos:


  • Pessoas com histórico familiar de obesidade

  • Indivíduos sedentários com baixa consciência corporal

  • Adultos jovens expostos a discursos de “normalização do excesso”

  • Pessoas que evitam avaliações físicas formais

Indicação de atenção especial

  • Profissionais de saúde e educação física

  • Indivíduos com doenças metabólicas iniciais

  • Pessoas em programas de emagrecimento sem progresso


Em contextos esportivos e de treinamento, a gordorexia pode comprometer tanto a performance quanto a prevenção de lesões, já que o excesso de carga corporal altera padrões biomecânicos fundamentais.

CONCLUSÃO


A fatorexia ou gordorexia não é apenas uma questão estética, mas um fenômeno complexo que envolve percepção, neurociência, metabolismo e comportamento. Ignorar sua existência significa permitir que fatores de risco cardiovasculares, articulares e metabólicos se desenvolvam silenciosamente.

No contexto da atividade física e da saúde funcional, reconhecer o próprio corpo com realismo é o primeiro passo para qualquer transformação sustentável. Mais do que buscar padrões visuais, o objetivo deve ser reconstruir uma relação equilibrada entre imagem, movimento e fisiologia.


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