Origem dos Anabolizantes
- MONSTRO CALISTENIA

- há 2 dias
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Quando o tema anabolizantes surge em qualquer discussão sobre treinamento físico, saúde ou estética corporal, ele quase sempre vem acompanhado de julgamentos, mitos e informações fragmentadas. Para muitos, essas substâncias parecem ter surgido diretamente nas academias, associadas exclusivamente ao fisiculturismo ou ao uso ilícito no esporte. No entanto, essa interpretação ignora completamente o contexto científico e histórico que levou ao desenvolvimento dos anabolizantes.
A origem dos anabolizantes está ligada ao avanço da medicina, da fisiologia humana e da endocrinologia, áreas que começaram a se consolidar de forma mais estruturada no final do século XIX e início do século XX. Antes de serem utilizados com fins estéticos ou esportivos, os anabolizantes foram criados como ferramentas terapêuticas, voltadas para a recuperação de tecidos, preservação da massa muscular e tratamento de doenças graves.

O avanço da endocrinologia e o interesse pelos hormônios
No início do século XX, a ciência passou a compreender que o corpo humano não funcionava apenas por estímulos mecânicos ou nervosos, mas também por meio de mensageiros químicos produzidos por glândulas específicas. Esses mensageiros, chamados hormônios, atuavam regulando crescimento, metabolismo, reprodução e adaptação ao esforço físico.
Dentro desse cenário, os testículos ganharam destaque por sua relação direta com força, desenvolvimento muscular, densidade óssea e vitalidade geral. Estudos observaram que indivíduos com deficiência hormonal apresentavam perda de massa muscular, redução de força e alterações metabólicas importantes. Por outro lado, a reposição hormonal parecia reverter parte desses efeitos, indicando uma forte relação entre hormônios masculinos e processos anabólicos.
Essas observações despertaram grande interesse científico, pois sugeriam que o crescimento e a manutenção dos tecidos musculares poderiam ser regulados quimicamente, e não apenas por estímulos físicos.
A descoberta da testosterona e o nascimento dos anabolizantes
O grande marco na origem dos anabolizantes ocorreu em 1935, quando pesquisadores conseguiram isolar e sintetizar a testosterona em laboratório. Essa descoberta representou um avanço histórico para a medicina, pois permitiu compreender de forma objetiva como esse hormônio atuava no organismo humano.
A testosterona mostrou ter um efeito extremamente relevante na síntese de proteínas, no aumento da massa muscular, no fortalecimento dos ossos e na recuperação tecidual. Esses efeitos passaram a ser classificados como anabólicos, termo que se refere aos processos de construção e crescimento dos tecidos corporais. Ao mesmo tempo, o hormônio apresentava efeitos androgênicos, ligados ao desenvolvimento das características sexuais masculinas.
A partir dessa síntese, cientistas começaram a desenvolver derivados da testosterona, buscando potencializar seus efeitos anabólicos e, em alguns casos, reduzir os efeitos androgênicos. Assim surgiram os esteroides anabolizantes androgênicos, substâncias criadas inicialmente com objetivos médicos bem definidos.
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O uso médico como finalidade original
Durante seus primeiros anos de aplicação, os anabolizantes foram utilizados exclusivamente no ambiente clínico. Médicos passaram a empregar essas substâncias no tratamento de pacientes que apresentavam quadros severos de perda muscular, desnutrição ou comprometimento metabólico.
Os anabolizantes mostraram-se eficazes em situações onde o corpo entrava em estado catabólico intenso, ou seja, quando havia degradação acelerada de tecidos. Nessas condições, o uso dessas substâncias auxiliava na preservação da massa magra, no ganho de peso corporal e na recuperação funcional do paciente.
É importante destacar que, nesse período, o uso era controlado, prescrito e monitorado por profissionais da saúde, com foco terapêutico e não estético. A visão dos anabolizantes era essencialmente médica, associada à recuperação da saúde e não à performance física.

A influência dos contextos militares e geopolíticos
Com o avanço das pesquisas e o início de grandes conflitos globais, como a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, a Guerra Fria, o interesse pelos anabolizantes ultrapassou os limites da medicina tradicional. Países passaram a investir em estudos que buscavam melhorar o desempenho físico de soldados, especialmente em situações extremas de esforço, estresse e privação.
Nesse contexto, os esteroides anabolizantes foram analisados como possíveis recursos para aumentar força, resistência, capacidade de recuperação e tolerância ao desgaste físico intenso. Embora muitos desses estudos não tenham sido amplamente divulgados, eles contribuíram para ampliar o conhecimento sobre os efeitos dessas substâncias no desempenho humano.
Esse momento histórico marcou a transição dos anabolizantes do uso estritamente clínico para aplicações relacionadas à performance física.
A incorporação dos anabolizantes ao esporte
A partir das décadas de 1950 e 1960, os anabolizantes começaram a ser utilizados no esporte de alto rendimento. Modalidades que exigiam força máxima, potência e explosão muscular passaram a registrar ganhos expressivos de desempenho associados ao uso dessas substâncias.
O fisiculturismo destacou-se como uma das áreas onde os efeitos dos anabolizantes se tornaram mais visíveis, já que o volume e a definição muscular são elementos centrais da modalidade. Com o aumento do uso, os resultados chamaram atenção do público e de outros atletas, o que acelerou a disseminação dessas substâncias no meio esportivo.
Com o tempo, surgiram preocupações éticas, médicas e competitivas, levando à criação de políticas antidoping e à proibição dos anabolizantes em competições oficiais.

A expansão para o uso recreativo e estético
Nas décadas seguintes, especialmente entre os anos 1980 e 1990, os anabolizantes passaram a ser utilizados fora do ambiente esportivo profissional. O crescimento da cultura fitness, aliado à valorização de corpos musculosos e definidos, contribuiu para que essas substâncias fossem vistas como atalhos para transformação corporal rápida.
Nesse período, o uso passou a ocorrer muitas vezes sem prescrição médica, sem acompanhamento profissional e sem conhecimento adequado sobre os riscos envolvidos. Esse desvio do propósito original contribuiu para os problemas de saúde associados ao uso indiscriminado, reforçando a imagem negativa dos anabolizantes na sociedade.
CONCLUSÃO
A origem dos anabolizantes revela que essas substâncias não surgiram com fins estéticos ou recreativos, mas como resultado direto do avanço científico e das necessidades médicas do século XX. Criados para preservar a saúde e recuperar tecidos, eles acabaram sendo incorporados ao esporte e, posteriormente, popularizados de forma inadequada.
Compreender essa trajetória histórica é fundamental para uma análise mais crítica e responsável sobre o tema, especialmente dentro do universo do treinamento físico, da calistenia e da musculação. Conhecimento sólido sempre deve preceder qualquer debate sobre uso, riscos e benefícios.









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