SÍNDROME DO OVERTRAINING: Entenda o Excesso de Estresse Fisiológico e Seus Impactos na Performance
- Claudio Fernando
- há 3 horas
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A síndrome do overtraining (OTS – Overtraining Syndrome) é um fenômeno complexo, caracterizado por uma queda persistente e significativa no desempenho físico, acompanhada de alterações fisiológicas, neuroendócrinas e psicológicas. Diferente da fadiga normal induzida pelo treino, o overtraining não se resolve com um ou dois dias de descanso, pois envolve uma ruptura profunda na relação carga–recuperação, resultando em estresse crônico do organismo.

Do ponto de vista fisiológico, o overtraining está associado ao desequilíbrio entre o sistema nervoso simpático e parassimpático, alterações hormonais (como aumento crônico do cortisol e queda da testosterona), diminuição da variabilidade da frequência cardíaca e impacto direto sobre o sistema imune. Essa combinação leva a um estado de estresse sistêmico que reduz a capacidade do corpo de se adaptar ao treinamento. Em atletas e praticantes de calistenia, isso se manifesta na perda progressiva de força, redução da resistência, dificuldade em executar movimentos técnicos e maior predisposição a lesões.

A etiologia da síndrome envolve diversos fatores. O principal é o excesso de volume e intensidade sem períodos adequados de recuperação, mas pesquisas mostram que aspectos externos ao treino também contribuem: privação de sono, déficit calórico prolongado, estresse emocional, hidratação inadequada e ausência de periodização. Estudos de fisiologia do exercício confirmam que o organismo possui limites bioquímicos de tolerância ao estresse, e quando esses limites são ultrapassados continuamente, começam a surgir alterações metabólicas como queda das reservas de glicogênio, aumento de marcadores inflamatórios e prejuízo na síntese proteica.
Clinicamente, a síndrome se manifesta com fadiga persistente, redução da motivação, irritabilidade, insônia, aumento da frequência cardíaca de repouso e sensação constante de “peso” durante o treino. O sistema imune também é afetado, o que explica infecções recorrentes, resfriados frequentes e recuperação lenta de pequenas lesões. Em atletas de força e calistenia, isso aparece como dificuldade para evoluir, regressão técnica e sensação permanente de desgaste.
A prevenção do overtraining envolve uma abordagem integrada baseada em periodização científica. A literatura enfatiza a importância de ciclos de treino que alternam cargas altas, moderadas e baixas, além de semanas de deload estrategicamente planejadas. A recuperação passa por fatores como sono adequado, nutrição suficiente para suportar o gasto energético, hidratação constante e monitoramento de indicadores de fadiga. A avaliação subjetiva da percepção de esforço (RPE), associada a métricas objetivas como variabilidade da frequência cardíaca (HRV), proporciona uma ferramenta eficaz para ajustar a carga diária.
Quando o overtraining já está instalado, a intervenção mais eficaz é a redução sistemática da carga, que pode variar de dias a semanas, dependendo da gravidade. O corpo precisa retornar ao equilíbrio homeostático para que as adaptações positivas voltem a ocorrer. A literatura indica que, em casos graves, o atleta pode precisar se afastar completamente do treinamento intenso para que o sistema hormonal e o sistema nervoso se restabeleçam.
A síndrome do overtraining é um lembrete de que a evolução no treinamento não depende apenas da intensidade, mas do equilíbrio entre estímulo e recuperação. Treinar além da capacidade adaptativa não gera progresso — gera regressão. Para praticantes de calistenia, musculação e esportes em geral, compreender esse fenômeno é fundamental para alcançar longevidade esportiva, performance consistente e saúde física e mental.





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