top of page

SÍNDROME DO OVERTRAINING: Entenda o Excesso de Estresse Fisiológico e Seus Impactos na Performance

A síndrome do overtraining (OTS – Overtraining Syndrome) é um fenômeno complexo, caracterizado por uma queda persistente e significativa no desempenho físico, acompanhada de alterações fisiológicas, neuroendócrinas e psicológicas. Diferente da fadiga normal induzida pelo treino, o overtraining não se resolve com um ou dois dias de descanso, pois envolve uma ruptura profunda na relação carga–recuperação, resultando em estresse crônico do organismo.


Síndrome de OVERTRAINING


Do ponto de vista fisiológico, o overtraining está associado ao desequilíbrio entre o sistema nervoso simpático e parassimpático, alterações hormonais (como aumento crônico do cortisol e queda da testosterona), diminuição da variabilidade da frequência cardíaca e impacto direto sobre o sistema imune. Essa combinação leva a um estado de estresse sistêmico que reduz a capacidade do corpo de se adaptar ao treinamento. Em atletas e praticantes de calistenia, isso se manifesta na perda progressiva de força, redução da resistência, dificuldade em executar movimentos técnicos e maior predisposição a lesões.

SÍNDROME DO OVERTRAINING

A etiologia da síndrome envolve diversos fatores. O principal é o excesso de volume e intensidade sem períodos adequados de recuperação, mas pesquisas mostram que aspectos externos ao treino também contribuem: privação de sono, déficit calórico prolongado, estresse emocional, hidratação inadequada e ausência de periodização. Estudos de fisiologia do exercício confirmam que o organismo possui limites bioquímicos de tolerância ao estresse, e quando esses limites são ultrapassados continuamente, começam a surgir alterações metabólicas como queda das reservas de glicogênio, aumento de marcadores inflamatórios e prejuízo na síntese proteica.

Clinicamente, a síndrome se manifesta com fadiga persistente, redução da motivação, irritabilidade, insônia, aumento da frequência cardíaca de repouso e sensação constante de “peso” durante o treino. O sistema imune também é afetado, o que explica infecções recorrentes, resfriados frequentes e recuperação lenta de pequenas lesões. Em atletas de força e calistenia, isso aparece como dificuldade para evoluir, regressão técnica e sensação permanente de desgaste.

A prevenção do overtraining envolve uma abordagem integrada baseada em periodização científica. A literatura enfatiza a importância de ciclos de treino que alternam cargas altas, moderadas e baixas, além de semanas de deload estrategicamente planejadas. A recuperação passa por fatores como sono adequado, nutrição suficiente para suportar o gasto energético, hidratação constante e monitoramento de indicadores de fadiga. A avaliação subjetiva da percepção de esforço (RPE), associada a métricas objetivas como variabilidade da frequência cardíaca (HRV), proporciona uma ferramenta eficaz para ajustar a carga diária.


Quando o overtraining já está instalado, a intervenção mais eficaz é a redução sistemática da carga, que pode variar de dias a semanas, dependendo da gravidade. O corpo precisa retornar ao equilíbrio homeostático para que as adaptações positivas voltem a ocorrer. A literatura indica que, em casos graves, o atleta pode precisar se afastar completamente do treinamento intenso para que o sistema hormonal e o sistema nervoso se restabeleçam.


A síndrome do overtraining é um lembrete de que a evolução no treinamento não depende apenas da intensidade, mas do equilíbrio entre estímulo e recuperação. Treinar além da capacidade adaptativa não gera progresso — gera regressão. Para praticantes de calistenia, musculação e esportes em geral, compreender esse fenômeno é fundamental para alcançar longevidade esportiva, performance consistente e saúde física e mental.




Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação*

© 2024 MONSTRO CALISTENIA. Todos os direitos reservados.

bottom of page